defendemos o fumante, não o fumo: quer parar de fumar ou reduzir?
 

notícias&artigos - 2011
por que fumar emagrece

Depois de passar anos e anos de olho grande nos lucros dos fabricantes de cigarros, a indústria farmacêutica finalmente conseguiu abocanhar seu filão: vender de forma "limpinha" e com aval da comunidade médica e dos ativistas antifumo a mesma "droga" que condenavam: a nicotina.

 

Primeiro como terapia de reposição para quem quer parar de fumar: adesivos, pastilhas, chicletes.

 

Depois, um outro estudo: a cotinina, o principal subproduto do processo metabólico da nicotina e que não é tóxica, previne perda da memória no Alzheimer. Mais remédios à vista, mais demanda para a plantação de tabaco.

 

Agora, a "descoberta" que a nicotina emagrece e tira a fome. Ou será que seria mais honesto dizer que encontraram um motivo real para assumir o que já se sabia há anos? E que ex-fumantes não eram seres sem força de vontade que engordavam quando paravam porque passavam a comer demais? Que os alimentos passavam a ter "mais sabor" e sabe-se lá quantas bobagens mais? Novo medicamento a vista!

 

Nicotina de farmácia: por esta ninguém esperava, não?

 

Atenção: Os artigos do Eufumo não tem a intenção de fornecer recomendação médica, diagnóstico ou tratamento.

 

a matéria original


 

Por que fumar emagrece

O Estado de São Paulo - Fernando Reinach - 21/07/2011

 

Pessoas que param de fumar engordam de três a cinco quilos. Até recentemente, a explicação era emocional: o fumante compensaria a falta de nicotina com excesso de comida. Hoje, sabemos que a diminuição do apetite é um dos efeitos farmacológicos da nicotina. O pior é que a insatisfação com o aumento de peso é um dos motivos da frequente recaída de ex-fumantes. Agora, um grupo de cientistas descobriu como a nicotina afeta os neurônios que controlam o apetite. A descoberta, além de permitir o desenvolvimento de drogas para ajudar fumantes a largar o vício, pode resultar em novas terapias para obesidade.

 

Na última década, foi descoberto como nosso peso é controlado pelo cérebro. Em situações normais, esse mecanismo detecta aumentos ou diminuições de peso e ajusta o apetite de forma a garantir a manutenção da massa corporal. O receptor de melanocortina esta no cerne desse mecanismo. A melanocortina, que nos órgãos periféricos regula a cor da pele, no sistema nervoso central controla o apetite. Esses receptores estão em um grupo de neurônios no hipotálamo. Quando os receptores nesses neurônios são estimulados, nosso apetite diminui e perdemos peso.

 

Na mesma região do hipotálamo existem dois outros tipos de neurônios que interagem com os que contêm o receptor de melanocortina. O primeiro, chamado de Pomc, produz substâncias que ativam o receptor de melanocortina; o segundo, AgRP, produz substância que inativa o receptor de melanocortina. Quando nosso peso aumenta, os neurônios Pomc estimulam o receptor de melanocortina, o apetite diminui e perdemos peso. Quando o peso diminui, os neurônios AgRP inibem o receptor de melanocortina, nosso apetite aumenta e recuperamos o peso perdido.

 

Os cientistas desvendaram como a nicotina atua sobre esse sistema. Primeiro, descobriram que os neurônios Pomc têm receptores para nicotina em sua superfície. Em seguida, foi demonstrado que os neurônios Pomc, quando na presença de nicotina, produzem maiores quantidades das substâncias que ativam os receptores de melanocortina, o que causaria a diminuição do apetite.

 

Finalmente, para demonstrar que era esse o mecanismo pelo qual a nicotina diminuía o apetite, construíram camundongos transgênicos que não possuem os Pomc. Neles, a nicotina não é capaz de causar a perda de massa corporal, o que demonstra que a ação da nicotina nas células Pomc origina o sinal que provoca a perda de peso.

 

Nos fumantes, a alta quantidade de nicotina no sangue faz com que os neurônios Pomc produzam continuamente as substâncias que ativam os receptores de melanocortina. Esses receptores ativados inibem o apetite. O fumante perde peso ou tem maior dificuldade de engordar.

 

A descoberta dos receptores de nicotina nos neurônios Pomc vai permitir o desenvolvimento de novas drogas que, ao se ligarem a esses receptores, podem controlar indiretamente os receptores de melanocortina e, consequentemente, nosso apetite. A descoberta do mecanismo de ação da nicotina pode levar a drogas capazes de ajudar fumante a largar o vício. Se isso for possível, teremos novas armas para combater a obesidade e o fumo. É fácil avaliar a importância dessa descoberta se lembrarmos que, entre as causas de morte evitáveis por mudanças comportamentais, a obesidade e fumo ocupam o primeiro e segundo lugares.

 

 

 

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